Vivemos em um tempo de inversão espiritual profunda, onde as pessoas demonstram uma fidelidade cega aos compromissos da terra enquanto abandonam com extrema facilidade os compromissos com o Céu. É assustador observar como alguém acorda cedo, enfrenta uma rotina pesada e não falta um único dia de serviço, mesmo debaixo de cansaço ou indisposição física, mas basta chegar o dia de uma reunião de oração, um culto de doutrina ou uma celebração no meio da semana para que a exaustão vire uma desculpa imediata. Um exemplo claro disso acontece quando o trabalhador passa a segunda e a terça-feira dando o seu máximo na empresa, superando todos os limites para bater metas, mas, quando chega a quarta-feira à noite e há um culto na igreja, ele escolhe ir direto para casa deitar no sofá sob a justificativa de que a semana está muito puxada e precisa descansar.
Essa atitude é inadmissível diante da Palavra, pois revela que o homem moderno está focado exclusivamente em correr atrás do pão físico e deixando de lado o alimento cotidiano que sustenta a sua alma. Ao agir assim, a pessoa esquece o ensinamento contido em Mateus 4:4, onde está escrito textualmente que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus, mostrando que a nossa sobrevivência depende muito mais do alimento celestial do que do material. O trabalhador negligencia o fato de que Cristo deixou um convite específico justamente para os momentos de esgotamento diário, registrado em Mateus 11:28, onde Ele diz para virem a Ele todos os que estais cansados e oprimidos, pois Ele dará o verdadeiro alívio, provando que o vigor não vem do isolamento, mas sim da presença do Pai.
Buscar a comunhão nas reuniões semanais não deveria ser visto como mais uma obrigação pesada, mas sim como o refúgio exato onde as forças são renovadas para conseguir suportar o restante da jornada de trabalho. Quem troca a palavra por algumas horas de descanso ou entretenimento caseiro está, na verdade, repetindo a triste história relatada em Gênesis 25:29-34, que descreve em detalhes o momento em que Esaú chega do campo completamente exausto e, desvalorizando a sua herança espiritual eterna, decide vender o seu sagrado direito de primogenitura para o seu irmão Jacó em troca de um simples prato de ensopado de lentilhas e um pedaço de pão. Não falhar com o patrão terreno de segunda a sexta-feira enquanto se falha constantemente com o Senhor do Universo nos dias de culto é o reflexo de uma fé que está esfriando e que precisa urgentemente de um despertamento espiritual.
Que a Graça de Deus seja com todos nós; Adrielle Kawahara
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