“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?" Miquéias 6.8
Nesta semana, pude estudar a profunda diferença entre dizer que "tem" Deus e, de fato, "andar" com Deus. Muitas vezes confundimos esses dois conceitos — ao ponto de esquecer que ter Deus é totalmente diferente de andar com Ele. Ter Deus pode ser apenas um conceito intelectual, um sentimento passageiro de conforto ou um amuleto religioso para os momentos de crise.
O profeta Miqueias explicou isso com muita clareza ao povo de sua época, que havia esquecido o princípio básico estabelecido lá atrás: a soberania e o senhorio de Deus. Aquela geração oferecia sacrifícios e rituais caros no templo, achando que isso bastava, mas, na verdade, eles não andavam com Deus. Eles queriam apenas ter a aprovação divina por meio de obrigações religiosas, esquecendo que o Senhor não quer barganhas e não aceita ser comprado.
Deus quer nós andando com Ele, em uma caminhada de total dependência e entrega diária. Ele quer ser o nosso dono, o nosso Senhor, e quando nós pertencemos a Ele, andamos com Ele. Miqueias responde no mesmo versículo citado acima mostrando o que Deus realmente espera de nós, resgatando esse princípio esquecido de que o caminhar exige "descer" da nossa autossuficiência e do pedestal do orgulho, reconhecendo o Senhor como nosso dono absoluto. Deus disse aquele povo que eles precisavam praticar a justiça, amar a misericórdia (benevolência), e andar humildemente Ele.
É preciso desenvolver um coração maleável, silencioso e disposto a aprender, pois Deus não fala nos gritos da agitação, mas no suave de uma brisa leve (como está escrito em 1 Reis 19:11-12). Não espere Deus gritar com você, ele quer intimidade. Um exemplo clássico é a história de Enoque, que nos mostra a realidade prática dessa caminhada de intimidade e humildade. Embora sua biografia seja curta em palavras, ela revela um dos legados espirituais mais profundos de todas as Escrituras.
Ele compreendeu o plano de salvação muito antes de Jesus vir à Terra e muito antes de o povo de Miqueias se esquecer dele - o tetraneto de Adão. Esse plano perfeito de amor foi escrito por Deus na própria árvore genealógica das dez primeiras gerações da humanidade, de Adão até Noé. Quando traduzimos o significado de cada um desses nomes no hebraico original, descobrimos uma mensagem profética contínua e perfeita: Adão significa "O Homem"; Sete significa "Definido ou Apontado"; Enos significa "Mortal ou Fraco"; Cainã significa "Aflição ou Tristeza"; Maalalel significa "O Deus Bendito"; Jarede significa "Descerá"; Enoque significa "Ensinando ou Consagrado"; Matusalém significa "Sua morte trará"; Lameque – o pai de Noé – significa "Ao desesperado"; e Noé significa "Alívio ou Descanso".
Ao juntarmos todos os significados na ordem das gerações, a linhagem declara uma profecia oculta extraordinária: ao homem está apontada uma mortal aflição, mas o Deus Bendito descerá ensinando que a sua morte trará ao desesperado alívio e descanso. Enoque passou os primeiros sessenta e cinco anos da sua vida no piloto automático do mundo, mas despertou espiritualmente com o nascimento de seu filho Matusalém, cujo nome trazia justamente o aviso “sua morte trará”.
Em vez de se desesperar ou cruzar os braços esperando a morte chegar, ele decidiu se agarrar ao Autor da Vida, aceitou a instrução do seu Senhor e passou a andar com Deus por trezentos anos no meio de uma sociedade extremamente violenta e corrompida.
Enoque nos ensina com seu tempo de vida, que os nossos momentos pessoais não podem ser maiores do que os de Deus, organizando a sua existência de forma que a maioria do seu tempo pertencesse ao Senhor, o que resultou na matemática perfeita de trezentos e sessenta e cinco anos totais na Terra.
Esse número reflete os trezentos e sessenta e cinco dias do ano, mostrando que a fidelidade deve ser constante em todas as estações e que a nossa decisão de caminhar com o Pai muda o DNA espiritual da nossa casa, fazendo brotar da nossa descendência o verdadeiro alívio e descanso, assim como Noé salvou a sua família da destruição. Andar com Deus é fazer o que Deus faria. O que temos feito?
O testemunho final de Enoque em Gênesis, Hebreus e Judas é que ele não foi mais visto porque Deus o tomou para si, alcançando a prova de que havia agradado ao Senhor.Toda essa caminhada de intimidade nos ensina que Deus quer você andando com Ele, bem de perto, para que você possa ouvir a Sua voz, fazer o que Ele faria. Não espere Deus gritar. Quem grita está longe, mas Deus fala com quem está perto d'Ele, em um sussurro de amor e direção. O apóstolo João resume isso no Novo Testamento (em 1 João 2:6) mostrando que andar com o Senhor e viver a salvação é uma cópia diária de conduta, pois aquele que diz que permanece n'Ele deve também andar assim como Jesus andou.
Portanto, a mensagem final para a sua vida hoje é simples: não se contente apenas em carregar um conceito de Deus ou cumprir obrigações distantes. Rompa com o barulho do mundo, acalme o seu coração e se achegue ao Senhor, porque é na proximidade desse caminhar diário que a Sua voz mansa se faz ouvir, e manter-se andando com Ele.
Deus te ama e não quer você longe. Fique pertinho d'Ele, lado a lado, juntinhos, e aqui nesta vida você viverá o melhor que Ele tem para você. Enoque foi uma bênção naquele tempo e para a geração dele, e hoje ele nos inspira a andar com Deus e ser bênção para a nossa casa.
Que a Graça seja com todas nós; Adrielle Kawahara


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