domingo, 30 de agosto de 2026

Lugar de submissão, não saia da Palavra!



    Vivemos em um mundo onde tudo é assustadoramente passageiro. Impérios grandiosos viram ruínas, estações da vida mudam num piscar de olhos, e os cenários que hoje parecem verdes e prósperos amanhã podem se reduzir a cinzas. O próprio Jesus nos alertou de que o céu e a terra passarão, mas as Suas palavras jamais passarão. 

             No meio dessa instabilidade, há apenas um lugar seguro para firmar os pés: a submissão à Palavra de Deus. A história bíblica nos mostra um ciclo doloroso que muitos de nós repetimos diariamente. Deus tirou Abraão e seu pai Terá de Ur dos Caldeus para levá-los a Canaã, que no hebraico significa "submetido". Canaã nunca foi uma promessa de independência humana, mas sim o lugar da dependência total. Ali, o povo não contava com as águas artificiais da Mesopotâmia; eles dependiam diretamente da chuva que vinha dos céus. Canaã é o lugar onde você se esvazia de si mesmo para ouvir a Palavra.

           O perigo começa justamente quando decidimos sair desse lugar de submissão. O profeta Jeremias registrou o doloroso recado de Deus que explica a ruína do povo de Judá ao dizer que eles não ouviram nem deram atenção, mas seguiram os conselhos do seu próprio coração obstinado e mau, andado para trás e não para a frente. Aquele povo retrocedeu de forma avassaladora. 

Mas o que lhes ordenei foi isto: Obedeçam-me, e eu serei o seu Deus, e vocês serão o meu povo. Vivam de acordo com tudo o que eu lhes ordenar, para que tudo lhes vá bem. Mas eles não me ouviram nem me deram atenção. Em vez disso, seguiram os conselhos do seu próprio coração obstinado e mau. Eles andaram para trás e não para a frente.” Jeremias 7.23-24

      Ao abandonarem a Palavra, eles marcharam em marcha ré espiritual e física, sendo levados cativos para a Babilônia. Eles retornaram exatamente para a mesma região geográfica de onde Deus havia pedido para Abraão e Terá saírem séculos antes. Se você olha no mapa verá que é lado a lado. Quem sai de Canaã, volta para a idolatria e para o cativeiro do passado. Nessa jornada de declínio, o erro de Judá repetiu os mesmos desvios que derrubaram os que vieram antes, a começar pela parada de Terá em Harã. Paralisado no tempo pela dor de ter perdido seu filho Harã na terra natal, Terá aceitou uma parada confortável e morreu no meio do caminho, provando que o tempo passa para quem estaciona na dor. 
          Logo depois, vemos o véu de Ló, cujo próprio nome significa "véu". Com os olhos espirituais cobertos, Ló andou por vista, escolheu o pedacinho de terra verdejante perto de Sodoma e rejeitou o monte do altar. A cilada foi as raposinhas de Zoar, as pequenas concessões do dia a dia. Ao fugir do fogo da destruição,  implorou para não subir o monte e pediu para se abrigar em Zoar, que significa "Pequena". São as pequenas raposinhas que estragam as vinhas, como diz o livro de Cânticos.
         Deus permitiu Zoar por misericórdia, mas fora do monte Ló viu a destruição de perto com os próprios olhos. Ele foi tomado pelo trauma e acabou isolado em uma caverna escura, perdendo sua esposa e sua família. Se Ló estivesse no monte onde Deus mandou, seus olhos estariam protegidos das cinzas do mundo. Mas o nosso Deus não é um Deus de cativeiro perpétuo. Mesmo quando o povo retrocedeu por sua própria culpa, a Palavra permaneceu de pé. Após setenta anos de choro na Babilônia, Deus cumpriu Sua promessa e enviou o rei Ciro da Pérsia, movendo o coração de um governante estrangeiro para assinar um decreto ordenando que o Seu povo saísse daquela terra e voltasse para Jerusalém para reconstruir o Templo. Deus providenciou a saída de Ur no início com Terá e Abraão, e providenciou a saída da Babilônia no fim com Ciro.
       Hoje, o nosso clamor precisa ser completamente diferente do clamor de , da paralisação de Terá ou do Judá rebelde. Nós não queremos a permissão para morar em pequenas Zoares de desobediência, nem queremos estacionar em Harã. Nós queremos a unção para sair definitivamente de Ur, romper com a paralisia de Terá, quebrar os cativeiros da Babilônia e permanecer firmes em Canaã. A chave para não retroceder e habitar permanentemente nesse lugar de submissão está no Salmo 63.8, que diz que a nossa alma se apega a Deus e a Sua destra nos sustenta. Permanecer em Canaã exige uma alma colada, agarrada com o Criador. 
       Quando nos apegamos à Palavra de Deus, a mão direita Dele nos sustenta no topo do monte. Não negocie sua obediência por facilidades passageiras. Tudo vai passar, mas quem permanece submisso, ouvindo e guardando a Palavra no monte de Deus, fica protegido e frutifica para sempre. Não saia de Canaã!
Que a graça de Deus esteja com todas nos;
Adrielle Kawahara 

sábado, 22 de agosto de 2026

Aprendendo com Ada e Zilá

      


           A história das primeiras gerações descritas no livro de Gênesis possui detalhes preciosos para a nossa caminhada com Deus. Ela revela ensinamentos profundos que, muitas vezes, passam despercebidos em meio às genealogias.

       Ao olharmos para as vidas de Ada e Zilá, as duas primeiras mulheres mencionadas nominalmente logo após Eva,  somos confrontadas com uma lição extraordinária sobre a verdadeira essência feminina e o equilíbrio que agrada ao Senhor. Essa passagem histórica está registrada nas Escrituras Sagradas:
"Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá. Ada deu à luz Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zilá, por sua vez, deu à luz Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante de bronze e de ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Naamá."(Gênesis 4:19-22)
      Esses nomes não foram escolhidos ao acaso; eles carregam significados que revelam duas virtudes essenciais que precisam caminhar unidas dentro de cada uma de nós.
     No hebraico, Ada significa "ornamento, brilho e beleza visível". Ela simboliza a nossa dignidade exterior, a graça que inspira e a capacidade de nos posicionarmos com excelência no mundo. No entanto, a formosura que Ada representa não se sustenta sozinha. É por isso que a narrativa bíblica a coloca ao lado de Zilá, cujo nome significa "sombra, abrigo e proteção". Zilá representa o nosso interior, o nosso alicerce espiritual construído no secreto — o lugar de oração, intimidade e maturidade onde a nossa alma encontra refúgio em Deus.
       O grande ensinamento que essas duas mulheres nos  deixam é que a beleza exterior não é real sem a interior. O brilho visível precisa da estabilidade da sombra protetora para não se tornar vazio. A busca exclusiva por cultivar apenas o lado "Ada", focando no reconhecimento e na estética, traz o risco de construirmos uma vida de aparências e sem sustentação. Por outro lado, ao unirmos a graça de Ada à profundidade espiritual de Zilá, alcançamos o equilíbrio perfeito que gera autoridade no mundo espiritual.
        Para compreender o peso dessa lição, precisamos observar o ambiente onde elas viviam. Elas estavam ligadas a Lameque, cujo nome no hebraico carrega os significados de "O Poderoso", "Homem Forte" ou "Destruidor". Lameque não era uma pessoa boa; ele foi o primeiro bígamo da história, representando a força bruta, a imposição e o orgulho humano daquela época.
       Deus permitiu que essa história ficasse registrada para nos ensinar uma verdade libertadora: ambientes desfavoráveis não podem impedir você de gerar. Lameque representava a rigidez e a opressão, mas ele não foi capaz de neutralizar a identidade dessas mulheres. A atmosfera hostil do lar não anulou o que Deus havia colocado nelas. Mesmo vivendo em um cenário desfavorável, a harmonia entre a beleza exterior de Ada e o alicerce secreto de Zilá permaneceu intacta e ativa.
       Foi justamente a partir dessa estrutura interior que nasceram os pioneiros das grandes artes e ofícios da humanidade. Isso prova que uma mulher completa recebe de Deus o poder para gerar grandes propósitos, independentemente das dificuldades e da escassez ao seu redor. Se o seu interior estiver alinhado com o Senhor, o lugar onde você está plantada não dita o seu fruto. A vaidade e o foco exclusivo no exterior nos afastam dessa verdadeira missão, como nos lembra o sábio conselho bíblico: "A beleza é engenosa, e a formosura é passageira, mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada" (Provérbios 31:30).
       Ao decidir ser uma mulher que brilha por fora porque é estruturada por dentro, você ganha autoridade espiritual para gerar projetos que prosperam, gerar paz dentro da sua casa, gerar uma descendência abençoada e construir um legado que o tempo não pode apagar. Não seja apenas uma mulher de aparência. Seja uma mulher completa. Busque o charme de Ada, mas nunca abra mão da sombra protetora de Zilá.
       Contudo, dar à luz a esses frutos extraordinários que mudaram o rumo da história não blindou essas mulheres das pressões externas. É marcante observar que Lameque não fez o seu discurso violento antes da maternidade delas, mas logo após elas darem frutos. Foi nesse momento de colheita que ele se levantou com arrogância e disse às suas esposas:
"Disse Lameque às suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: pois matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar. Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta vezes sete." (Gênesis 4:23-24)
      Muitas vezes, as palavras mais duras, as ameaças e os ataques espirituais se levantam na sua vida logo após você ter feito o seu melhor e gerado algo precioso. Essa é uma tentativa clara do inimigo para te atormentar, colocar medo e paralisar aquilo que já nasceu de você.
       Os "lameques" deste mundo tentarão impor afrontas através da força, do medo e da intimidação. No entanto, aquelas mulheres guardavam no coração os ingredientes exatos que haviam gerado em seus filhos: a provisão (Jabal), a adoração (Jubal), a transformação (Tubalcaim) e a doçura (Naamá). Esses são os elementos que não podem faltar na sua vida! São essas virtudes que te dão a estrutura necessária para vencer e superar todas as afrontas que os cenários difíceis tentam impor.
        Não permita que o medo te paralise! Fique com a Palavra de Deus, que é o seu único espelho. Você reflete a glória do Senhor, que gerou em você provisão, adoração, transformação e doçura. Não perca a sua paz!
"E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem..." (2 Coríntios 3:18)
          O mundo e as pessoas feridas tentarão te oferecer espelhos distorcidos, que refletem apenas medo, dor, vergonha e invalidez. Mas a Palavra de Deus é o único espelho verdadeiro. Quando você tira os olhos da agressividade ao seu redor e fixa o olhar na glória do Senhor, o Espírito Santo apaga a imagem da dor e desenha a imagem da mulher curada e vitoriosa. Você passa a refletir a glória, não o sofrimento.
Hoje, Deus está desvendando os seus olhos para que você enxergue a verdade: você não é o que o ambiente diz, você é a glória dEle!

Que a Graça Deus esteja com todas nós, Adrielle Kawahara 

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