Quando Jeremias escreveu que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas..." (Jeremias 17:9), ele não estava filosofando sobre sentimentos modernos. Ele falava a um povo cativo na Babilônia. Imagine o cenário: uma nação que perdeu sua terra, seu templo e sua liberdade, vivendo sob a pressão constante de um império pagão.
Em tempos de crise e cativeiro, o coração é tentado a criar narrativas de sobrevivência que nem sempre são verdadeiras. Como Cristãos precisamos nos atentar a tudo. Cuidado para não ser enganado por sentimentos que não existem.
Naquele tempo, o povo estava exilado e o trauma é coletivo, imagina um povo cheio de amarguras?! Jamais teriam paz e venceriam o cativeiro. Quando não tratamos nossas inseguranças e rejeições passadas, passamos a interpretar a realidade de forma distorcida, exatamente como quem vive sob constante ameaça.
O perigo do coração enganoso é que ele cria uma lente de defesa:
- O silêncio do outro vira desprezo.
- Uma correção vira rejeição.
- Um dia de correria vira falta de importância.
Assim como o povo no exílio poderia se fechar em amargura, o coração enganoso nos convence de que somos sempre o alvo.
A pessoa passa a acreditar na própria narrativa e, por medo de ser ferida novamente, cria muros, impedimento de viver os planos que Deus tem para ela.
Assim ela:
- Não ouve conselhos: Todo direcionamento soa como controle;
- Não aceita correção: Toda observação soa como ataque;
- Estado de defesa constante: Vive-se uma vida paranoica, onde todo "não" é ataque e todo afastamento é abando.
No entanto, Deus nos ensina que a maturidade espiritual trás cura. Especialmente em tempos difíceis. Ela te faz entender que nem tudo o que sente é verdade.
O homem espiritual discerne além das aparências (1 Coríntios 2:15).
Quem amadurece no Espírito para de reagir ao que "acha", baseado nos traumas do cativeiro emocional e começa a agir pelo que Deus diz. O discernimento nos protege de transformar aliados em inimigos e de ver inveja onde há apenas a vida acontecendo.
Entenda que assim como Deus tinha Planos para aquele povo cativo, Deus tem para você. Deus tinha planos de paz e não de mal. Mas, para enxergar esses planos, o povo precisava guardar o coração para não ser enganado pela própria dor.
Não deixe que seus traumas editem a sua realidade. Peça a Deus o discernimento para separar a perseguição real das sombras criadas por um coração que ainda precisa de cura.
Que a graça de Deus esteja com todos nós
Adrielle Kawahara


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